
IN 76 e 77: mais que norma, uma alavanca para gestão e crescimento
É comum que a Instrução Normativa 76 e 77 seja lembrada apenas como um regulamento sanitário. Uma exigência que precisa ser cumprida para evitar autuações, embargos ou multas. Mas o laticínio que deseja operar de forma segura, escalável e alinhada às exigências de mercado não pode se dar ao luxo de enxergar essas normas apenas como um "obstáculo". Pelo contrário,
a IN 76 e 77 deve ser tratada como uma ferramenta estratégica de gestão da cadeia.
Quando bem interpretada, ela se torna um termômetro técnico da sua base produtora, revelando quem são os fornecedores mais preparados e onde estão os gargalos que exigem ação imediata. Isso permite ao laticínio segmentar sua base de forma inteligente, priorizar investimentos técnicos e até definir políticas de pagamento mais alinhadas à qualidade.
Mais do que um passaporte regulatório, a conformidade com a IN 76 e 77 é o que garante previsibilidade à operação industrial. CPP e CCS dentro dos padrões significam menos perdas por instabilidade microbiológica, maior estabilidade na linha de derivados e ampliação das possibilidades de mercado, sobretudo para produtos com maior valor agregado e prazos de prateleira mais exigentes.
O ponto central é que o risco da não conformidade não está apenas em multas ou embargos. Está no custo oculto da perda de produtividade industrial, do retrabalho e da instabilidade no fornecimento. E é por isso que laticínios que tratam a norma como um pilar estratégico — e não apenas como um documento regulatório, saem na frente.
Como transformar a IN 76/77 em um diferencial competitivo?
- Monitorando continuamente os indicadores da base (e não apenas após a reprova);
- Oferecendo suporte técnico direcionado, com foco nos pontos mais críticos da fazenda;
- Usando os parâmetros como base para programas de bonificação e fidelização;
- Apoiando a correção de causas estruturais, como falhas na ordenha, resfriamento ou manejo.
Tratar a IN 76 e 77 como parte do planejamento estratégico da indústria é o que diferencia quem apenas coleta leite de quem constrói um ecossistema produtivo de longo prazo. Afinal, é impossível escalar qualidade e rentabilidade com uma base instável e mal acompanhada.
Quem enxerga a norma como custo, paga o preço da instabilidade. Quem trata como estratégia, garante previsibilidade, qualidade e crescimento com segurança.
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