Proteínas animais e lácteos puxaram a conta do supermercado em 2025: o que explica e como se preparar para 2026
Em 2025, proteínas animais e lácteos viraram protagonistas da sensação de “carrinho mais caro”, mesmo com a inflação oficial encerrando o ano em 4,26%. A explicação está menos no número agregado e mais em como as altas se concentraram em itens de compra recorrente, difíceis de substituir e muito visíveis no orçamento.
O que o IPCA mostrou em 2025 e por que o carrinho pareceu pior?
Pelo IPCA, 2025 fechou com alta de 4,26%. No grupo “Alimentação e bebidas”, a variação foi de 2,95% no ano. Olhando só esse recorte, dá a impressão de que “não foi nada demais”. Porém, inflação é média, e média esconde picos. Em 2025, alguns itens subiram muito e outros caíram bastante. A queda de itens básicos ajuda a segurar o índice, mas não anula a dor de quem compra toda semana café, carne e queijo. Entre as maiores altas do IPCA em 2025, o destaque foi o café moído, com aumento de 35,65%. Também apareceram com força itens como chocolate em barra e bombom, que subiram 27,12%, e o pão francês 5,86%. Ao mesmo tempo, houveram quedas relevantes que reduziram a média, como arroz que caiu 26,56%, e leite longa vida, com menos 12,87%.
Onde a alta foi mais visível? Carnes, queijos e café no varejo.
Quando a visão muda do IPCA e vai para recortes de varejo baseados em notas fiscais, o cenário se transforma. No estudo “Variações de Preços: Brasil & Regiões”, da Neogrid, dezembro de 2025 apontou aumento médio de 2,3% na carne bovina e 2,2% na carne suína, enquanto o leite UHT teve redução de 5,3% no mês.
No acumulado de 2025, esse mesmo tipo de recorte reforça a dispersão dentro do “mesmo carrinho”:
- Queijos: +12,4% no ano
- Café em pó e em grãos: +40,7% entre dez/2024 e dez/2025
Por que isso importa? Porque o consumidor não compra “Alimentação e bebidas”. Ele compra carne, café, queijo e pão. E é essa combinação que define a percepção de carestia.
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Lácteos não andam em bloco: por que UHT pode cair enquanto queijo sobe.
Um erro comum é tratar “lácteos” como um único preço. Na prática, cada categoria tem sua própria lógica de demanda, margem, canal e sensibilidade a preço. Em 2025, o leite longa vida caiu no IPCA (-12,87%). Ao mesmo tempo, queijos avançaram em recortes de varejo (+12,4% no ano). Isso costuma acontecer quando:
- UHT sofre mais com competição e promoções (é referência de preço no varejo)
- Queijos conseguem sustentar preço por valor percebido, variedade e usos culinários
- O consumidor “troca de marca, troca de formato”, mas não abandona totalmente o item
E o leite ao produtor? Nem sempre a cadeia se move junto
Aqui está um ponto sensível para o setor: alta no varejo não garante alta “dentro da porteira”. O Cepea registrou queda nos preços do leite ao produtor em um momento considerado atípico, associando o movimento ao aumento da oferta e ao enfraquecimento da demanda por lácteos na ponta final da cadeia. E, olhando o fim do ano, o Cepea também apontou recuo do preço do leite pago ao produtor em dezembro de 2025, com desvalorização real acumulada de 25,8% ao longo de 2025.
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Conclusão
Em 2025, a conta do supermercado foi marcada menos pela inflação “média” e mais pela concentração de altas em itens-chave do carrinho. Café e proteínas ganharam holofote, e os lácteos mostraram, na prática, que UHT e queijos podem caminhar em direções opostas. Para 2026, a melhor preparação é transformar preço, custo e mix em rotina de decisão, com indicadores simples e consistentes, especialmente quando o tema é proteínas animais e lácteos.
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Este artigo foi escrito por: Lara Santos Balbino - Redatora Cia do Leite