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Safra de grãos 2025/26: 358 mi de toneladas e o impacto no leite.

14 de de 2026

A nova estimativa da Conab para a safra brasileira de grãos traz um dado importante para todo o agronegócio: o país pode colher 358 milhões de toneladas, volume superior ao da safra anterior. O resultado, divulgado no 8º Levantamento da Safra de Grãos 2025/26, é puxado principalmente pelo desempenho de soja, milho e sorgo.

Para a cadeia do leite, esse movimento merece atenção. Afinal, milho, soja e outros grãos têm relação direta com a alimentação animal, um dos principais componentes do custo de produção nas fazendas leiteiras.

O que a Conab está projetando para a safra 2025/26?

A Conab projeta uma safra recorde de grãos em 2025/26. Na prática, isso significa maior disponibilidade de alimentos estratégicos para a pecuária, especialmente milho e soja, que são base de grande parte das dietas de vacas leiteiras em sistemas mais intensivos.

Soja e milho em alta: mais oferta não significa ração mais barata.

Segundo a Conab, a produção de soja deve alcançar 180,1 milhões de toneladas, o maior volume já registrado. Já o milho, considerando as três safras, pode chegar a 140,2 milhões de toneladas.

Em um primeiro momento, uma safra maior pode indicar maior disponibilidade de insumos para formulação de dietas. Isso é positivo, especialmente para propriedades leiteiras que dependem da compra de concentrado, milho moído, farelo de soja e outros ingredientes utilizados na nutrição do rebanho.

Mas é importante lembrar: mais produção não significa, automaticamente, queda de preço na ponta.

O mercado de grãos também é influenciado por exportações, demanda interna, logística, câmbio, estoques e uso industrial. No caso do milho, por exemplo, a Conab aponta crescimento no consumo interno impulsionado por uso industrial, além de exportações relevantes. Ou seja, o produtor de leite precisa acompanhar o mercado com atenção. A oportunidade pode existir, mas ela só se transforma em vantagem quando há planejamento de compra, armazenagem, formulação correta da dieta e controle dos indicadores produtivos.

Milho continua sendo peça-chave na produção de leite.

O milho é um dos principais ingredientes energéticos utilizados na alimentação de vacas leiteiras. Ele aparece tanto no concentrado quanto na produção de silagem, sendo essencial para sustentar desempenho, especialmente em sistemas mais intensivos.

A Conab estima que a primeira safra de milho alcance cerca de 28,5 milhões de toneladas. Já a segunda safra deve atingir 108,5 milhões de toneladas, mesmo com leve queda em relação ao ciclo anterior em função de impactos climáticos em alguns estados.

Para o produtor de leite, isso reforça uma mensagem importante: o planejamento alimentar não pode depender apenas do preço do grão no mercado. É preciso olhar para o custo da dieta como um todo e, principalmente, para a eficiência com que essa dieta se transforma em leite.

Uma fazenda pode comprar alimento mais barato e, ainda assim, perder dinheiro se houver desperdício no cocho, baixa conversão alimentar, vacas vazias, problemas sanitários ou falhas no manejo.

Sorgo ganha espaço e pode ser alternativa estratégica.

Outro destaque do levantamento é o sorgo, que pode chegar a 7,6 milhões de toneladas, com crescimento estimado de até 23,8%.

Para a pecuária leiteira, o sorgo pode ser uma alternativa interessante em determinadas regiões e sistemas, principalmente quando há limitações climáticas para o milho ou necessidade de diversificar a produção de volumoso.

Isso não significa substituir uma cultura por outra sem critério. A decisão precisa considerar solo, clima, produtividade esperada, valor nutricional, custo por tonelada de matéria seca e objetivo do sistema de produção.

Mais uma vez, o ponto central é planejamento técnico. A cultura escolhida precisa conversar com a realidade da fazenda e com a meta produtiva do rebanho.

O papel do planejamento de volumoso.

A maior produção de milho e o avanço do sorgo também reforçam um tema decisivo para a pecuária leiteira: o planejamento de volumoso.

Em muitas fazendas, o custo sobe não apenas porque o concentrado está caro, mas porque falta silagem de qualidade, há erro na estimativa de estoque ou o volumoso produzido não sustenta o nível de produção esperado. Quando isso acontece, a fazenda fica mais dependente da compra de ração e ingredientes externos. E, mesmo em anos de boa safra, essa dependência aumenta o risco financeiro.

Por isso, a leitura correta do cenário de grãos deve ir além do preço. Ela precisa ajudar o produtor a pensar a próxima safra de volumoso, o dimensionamento da área plantada, o estoque necessário, a qualidade da silagem e o equilíbrio entre produção própria e compra de insumos.

Conclusão

Em um cenário de safra recorde, a oportunidade não está apenas em comprar insumos em um momento mais favorável, mas em saber transformar alimentação, volumoso e gestão em mais eficiência dentro da fazenda.

A Cia do Leite acompanha produtores na tomada de decisão prática: planejamento de volumoso, ajuste de dieta, controle de custos, desempenho do rebanho e melhoria da margem por litro produzido.

Se a sua fazenda sente que poderia aproveitar melhor os alimentos disponíveis, reduzir desperdícios e produzir leite com mais previsibilidade, talvez seja o momento de olhar para isso com apoio técnico. Fale com a equipe da Cia do Leite e entenda como a assistência técnica pode ajudar a transformar planejamento alimentar em resultado real na produção.



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Esse artigo foi escrito por Lara Santos Balbino - Médica veterinária e redatora do Grupo Cia do Leite. 





Publicado em: 14/05/2026