Desafios e soluções para o manejo de vacas leiteiras em climas quentes e secos
O manejo de vacas leiteiras em regiões quentes e secas é um desafio crescente no Brasil. A elevação das temperaturas médias e as ondas de calor afetam o bem-estar animal, reduzem o consumo de alimento e diminuem a produção de leite. Mas com práticas simples e ajustadas à realidade de cada fazenda, é possível manter o conforto das vacas e preservar a produtividade mesmo nos períodos mais críticos.
Como o calor afeta as vacas leiteiras
Quando a temperatura ambiente ultrapassa 25 °C, o animal começa a sentir desconforto. Em 30 °C ou mais, o estresse térmico em vacas já compromete o apetite, a ruminação e o ciclo reprodutivo. O resultado é queda de até 10% na produção e aumento de problemas de saúde, como mastite e retenção de placenta.
Estratégias práticas de conforto térmico
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Sombreamento – Árvores, coberturas simples ou sombrites podem reduzir em até 5 °C a temperatura sob o abrigo.
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Ventilação e aspersão – O uso de ventiladores e aspersores, mesmo com baixo custo, ajuda a manter a vaca ativa e confortável.
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Água fresca – Um dos pontos mais negligenciados. Cada vaca pode consumir 100 L por dia.
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Alimentação adequada – Dietas ajustadas com maior energia e menor fibra ajudam o animal a enfrentar o calor.
Essas medidas elevam o bem-estar animal no gado leiteiro e protegem a produção.
Planejamento do manejo em épocas secas
Durante o período seco, a redução de pastagens e a poeira também são problemas. É importante:
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Garantir reservas de volumoso;
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Evitar superlotação em piquetes;
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Aumentar frequência de limpeza de bebedouros e cochos;
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Monitorar sinais de desidratação.
Essas ações reduzem perdas e melhoram o desempenho reprodutivo.
Investir em conforto animal é investir em produtividade
Estudos mostram que vacas bem adaptadas ao clima produzem mais leite e têm maior longevidade. Em sistemas tropicais, o retorno do investimento em conforto animal é rápido, geralmente de uma estação para outra.
Conclusão
O manejo de vacas leiteiras sob calor não é apenas questão de conforto, mas de resultado. Pequenas melhorias estruturais e de rotina podem fazer grande diferença na produção e no bem-estar. O produtor que age de forma preventiva tem um rebanho mais saudável e produtivo o ano todo.
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